Fotos: Luis Correira (privat)

Olá a todos!
I was neighbour and good friend of Christina Zacker, and she asked me some weeks ago to tell her "my story" of April 25th, 1974. 
As I am digitalizing old slices I found some of this exiting day - hope you enjoy them.

O primeiro dia o emprego da minha vida que nunca existiu

As coisas no País estiveram um pouco estranhas naquelas ultimas 3 ou 4 semanas. O meu termómetro da situação política em Portugal, de repente começou a subir e descer, sem qualquer aviso. 
Eu sabia que Portugal estava um pouco doente. 
Eu sabia que era crónico e nunca ficaria saudável, mesmo com uma grande operação, apesar de não ter a mínima ideia de que tipo de doença sofria. 

     

Fotos: Luis Correira (privat)

Estava uma manhã de primavera, lindíssima. O sol brilhava e o ar estava limpo e transparente como uma taça de cristal. As arvores estavam verdes repletas de novos rebentos, e aqui e ali as flores começavam a despontar. 

Eu podia ver tudo isto da janela do meu quarto que ficava no último andar dum prédio em Gomes Freire (Dª Estefânia).
A vista era fantástica. Podia-se avistar quase toda Lisboa. 
Tínhamos um panorama de 180º, desde a Praça de Londres ao Rio Tejo, passando pela Penha de França, Santa Luzia, Graça e o majestoso Castelo de São Jorge.
Tudo parecia calmo e tranquilo, com a beleza dessa solarenga manhã. 
No entanto, os portões da da Academia Militar estavam fechados, quando deveriam estar completamente abertos aquela hora, e havia uma pequena agitação com 4 ou 5 soldados, mas nada de especial.
Provavelmente ainda não seriam 8 horas e eu pensei para com os meus botões: Ora cá temos o termómetro outra vez em alta. Deve ser mais uma pequena febre. Brevemente voltará a estar de saúde.
Já na rua, quando eu estava a entrar no meu carro, o Pai do meu amigo Zé Fernando gritou-me de longe algo que eu não entendi ao que eu respondi:
"É verdade, está um dia lindo." 
Arranquei no meu carro percorrendo a D. Estefânia em direcção ao Aeroporto. Todo orgulhoso do meu novo Sunbeam vermelho alaranjado. 
O Transito estava surpreendentemente fácil. O único problema era o rádio do carro. Só dava aquela música Alentejana, que eu detestava. Parecia que todas as poucas outras estações tinham morrido. 
-"Isto não está nada bem, o carro é novo e o Rádio já se tinha avariado. Antes desligá-lo do que ter que ouvir esta horrorosa Grândola Vila Morena", pensei eu.
A Rotunda do Relógio com o seu enorme relógio na relva, tal como o nome indica, era, nessa altura, a ligação principal entre a Cidade e o Aeroporto.
Circular na Rotunda, não era problema, mesmo sem semáforos.
Quando me perparava para deixar a Rotunda em direcção ao Aeroporto, fui mandado parar por um Soldado, Mais dois ou três soldados andavam por ali e acho que também havia um camião da tropa.
-"O que se passa?" perguntei.
-"A estrada está cortada, Desculpe mas não pode passar", respondeu o soldado.
-"O quê, tá louco, não posso passar?! Sabe o que é que isto significa para mim?! O primeiro dia do meu emprego na TAP e está a dizer-me que não posso passar? Vc vai arruinar o meu futuro!!! Toda a minha vida está ali e Vc está a barrar o meu caminho, não pode fazer isso!!!"
Era o meu primeiro dia do Curso para Comissários e Assistentes de Bordo para os Transportes Aéreos Portugueses.
-"Está bem, aguarde um pouco". Foi chamar o seu Superior, o Cabo.
-"Não pode passar, esta área está cortada", disse ele.
-"Não é possível, tenho que passar, porque….Bla, bla, bla..." e contei-lhe a mesma história.
-"Ok um momento por favor".
Então, aparece o Sargento e toda a história se repete.
-"Ok. um momento por favor".
O Tenente, aproximou-se da janela do meu carro e disse:
-"Olhe lá uma coisa, dê a volta ao carro e vá para casa."
-"Mas VC não está a compreender, vão-me despedir, logo no meu primeiro dia!!", exclamei.
Nisto o tenente vira-se para mim e muito calmamente diz-me:
-"Nada vai acontecer nem ninguém vai dar por isso, acabamos de evacuar a TAP. Ninguém estará lá para registar a sua falta. Por favor, confie em mim, dou-lhe a Minha Palavra de Honra. VC não vai perder o seu emprego. Volte para traz e vá para casa." 
Quando cheguei a casa recebi uma chamada da minha namorada, Foca Maria.
-"Hi, fica em casa. Não saias. Houve uma revolução!!!" 
-"Revolução?" perguntei. "O que é uma revolução?"
Agora, 36 anos depois a voar à volta do mundo eu sei o que é uma Revolução.
Uma Revolução é aquilo que vemos em Portugal nos dias de hoje.
Gostaria de voltar a encontrar aquele tenente para o felicitar pela sua atitude e para o abraçar pela sua Palavra de Honra que cumpriu e que eu nunca mais irei esquecer.

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Kann denn Fado fade sein

Das "Portugalbuch", das lange vergriffen war, ist nun wieder neu aufgelegt: erweitert, ergänzt, aktualisiert.